Ulisses Zamboni no CPMG – o inconsciente começa a tomar conta da comunicação.

{ Posted on nov 27 2009 by Cláudia Câmara }

(Post que era pra falar sobre a palestra do Ulisses Zamboni. Mas que acabou sendo um texto inspirado no que ele disse.)

Idéias que valem a pena compartilhar. O conceito que move o TED (www.ted.com) resume a onda de generosidade que vem dando o tom dos relacionamentos no mundo.

No ciclo dos comportamentos depois do individualismo ferrenho dos anos 90 era quase de se esperar que as almas abarcassem sonhos coletivos.

Do salve-se quem puder ao unidos venceremos.

Estamos generosos, abertos, amorosos, praticamente em estado de Woodstock comungando do mesmo desejo de conhecimento e mudança.

Pára tudo!

Era pra ser uma introdução ao modo como pretendo descrever a palestra do Ulisses Zamboni para o CPMG e por um triz me perco, falando sobre um assunto que tem me intrigado muito ultimamente – o modo intenso como o discurso da sustentabilidade vem influenciando o discurso empresarial e, claro, o comportamento de todos.  Me impressiona esse movimento, essa profissão de fé desencadeada aqui no Brasil pelo TEDxSP, todo mundo querendo mudar o mundo. E vai ver é assim que as coisas funcionam mesmo. Mas isso é assunto para depois. Vamos nos concentrar no Ulisses Zamboni. Vou contar sua palestra como quem descreve um vídeo.

Ele chega, todo de preto, elegante, simpático e sereno. Sobe ao palco e conquista a atenção de todos soltando uma dessas constatações que trazemos dentro da gente, mas que se confirma e se consolida apenas quando a ouvimos na boca de quem respeitamos. Ele diz: a ignorância é uma das aliadas da ousadia. E diz isso para explicar que ousou aceitar a presidência do GP de São Paulo e antes, ousou abrir a Santa Clara há quatro anos, pelo mesmo motivo – por pura ignorância da dimensão do que estava fazendo. Não precisou dizer que a “ignorância” que alimenta a ousadia se restringe a esse papel.

Era uma introdução à mensagem que, de fato, ele pretendia deixar para os publicitários que o assistiam no auditório do Museu Abílio Barreto: o mercado de hoje não se satisfaz mais com previsibilidades mensuráveis. O mercado não aceita mais receitas prontas, obrigado. Disso estamos mais do que servidos, estamos enfarados.

E Ulisses foi longe para comprovar sua tese – se na Idade Média os homens viviam (confortavelmente, na minha opinião), segundo os dogmas, hoje somos obrigados a conviver e a decifrar a complexidade interativa. É o tal do livre arbítrio que nos força a fazer escolhas o tempo todo e a arcar com as consequências de cada uma delas.

Se antes as regras eram claras, isso-pode isso-não-pode, agora a extrema liberdade toma uma dimensão estratosférica quando somos nós, os profissionais que temos obrigação de, no mínimo, aparecer com relevância no campo de visão das pessoas com tantas escolhas. Um inferno. Uma luta fazer diferença num cenário onde todas as marcas estão rebolando para serem ou parecerem ser, diferentes.

Qual a solução? A ignorância como combustível da ousadia e, por sua vez, a ousadia com causa, ousadia fundamentada na inteligência criativa.

Em sua palestra Zamboni visitou Freud e Jung, os pioneiros que colocaram um alto-falante no inconsciente. Mencionou Skinner, Pavlov e Watson como os simplificadores do comportamento “macaquético” (behaviorismo) que acachapava as entrelinhas do comportamento humano resumindo tudo ao reflexo condicionado. E chegou ao século XXI, a era que se volta para as pessoas e que respeita suas complexidades.

O inconsciente começa a tomar conta da comunicação. E há que se fazer mais do que um jingle fofo de trinta segundos ou uma piadinha visual pra meia dúzia rir e esquecer.

Era isso o que o Zamboni queria dizer – go beyond do ahead. O negócio é tão complicado quanto parece mesmo. Portanto, meus colegas planejadores, publicitários e clientes, arrisquem! Seguir trilhas e linhas pré-estabelecidas é ótimo para quem quer chegar com segurança onde todos chegam. Ou seja, lugar comum, lugar nenhum.

Zamboni, volte mais. O assunto rende e você nunca é suficiente!

Claudia Camara

Usine Comunicação Estratégica

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Categories : Destaques, cpmg


2 Responses to “Ulisses Zamboni no CPMG – o inconsciente começa a tomar conta da comunicação.”

  1. Sempre acreditei fortemente nesse lado espontaneo da comunicação. Mas como dito, o fato de alguem respeitado ter dito isto reforça a nossa crença.

    É muito inquietante fazer parte disto e poder conduzir de alguma forma pra onde irá toda esta mudança que tantos falam. Mas vejo agora que da mesma forma que o consumo se torna inconsciente o planejamento seguirá a mesma linha sendo singular ao extremo para cada caso. E diria que junto a ignorancia e a ousadia precisamos cada vez mais de percepção. Esta sim nos trás respostas aonde ainda nem há perguntas.

  2. Tomo emprestadas suas palavras “Zamboni, volte mais.”

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